sexta-feira, abril 24, 2026
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TRE-PB julga ações judiciais contra Cícero Lucena e Leo Bezerra, que pode mudar a corrida eleitoral

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Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba marca para segunda-feira (27) o julgamento de ações que contestam a reeleição de Cícero Lucena e Leo Bezerra com base na Operação Território Livre da Polícia Federal, em um momento de alta tensão política e preocupante escalada da violência na região metropolitana de João Pessoa

O Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB) pautou para a próxima segunda-feira, 27, o julgamento de duas Ações de Investigação Judicial Eleitoral (Aijes) que ameaçam a legitimidade da vitória de Cícero Lucena (MDB) e Leo Bezerra (PSB) nas eleições municipais de 2024. As ações, movidas pelas campanhas de Marcelo Queiroga (PL) e Ruy Carneiro (Podemos), acusam suposto aliciamento violento de eleitores durante o pleito, com base nas investigações da Operação Território Livre da Polícia Federal.

O relator, desembargador Kéops de Vasconcelos, liberou os processos para julgamento, o que coloca o cenário político paraibano em estado de alerta às vésperas das definições para 2026.

Cícero Lucena, que deixou o cargo de prefeito recentemente, manifestou tranquilidade. “Sempre tive tranquilidade de fazer e cumprir a legislação. Eu sei o que nós fizemos e como fazemos, então temos tranquilidade em relação a isso”, declarou.

O ex-prefeito aproveitou para criticar a segurança pública estadual, cobrando do governo Lucas Ribeiro maior enfrentamento às facções criminosas que avançam na Paraíba, especialmente na região metropolitana de João Pessoa.

A Operação Território Livre investigou denúncias de coação, compra de votos e uso de estrutura pública para favorecer candidatos da base governista. Se o TRE-PB cassar os mandatos ou declarar inelegibilidade, o impacto será imediato: a sucessão estadual de 2026 perde um dos principais nomes da base aliada e pode abrir caminho para realinhamentos, fortalecendo nomes como Adriano Galdino (Republicanos) ou até a oposição, representada por Romero Rodrigues (Podemos) e Efraim Filho (União Brasil).

O julgamento chega em um momento delicado. Enquanto João Pessoa convive com o aumento da violência, a classe política paraibana vive imersa em disputas internas. Cícero, que lidera pesquisas para 2026, vê sua imagem de gestor experiente colocada à prova. Leo Bezerra, atual prefeito, também pode ter seu mandato ameaçado, o que complicaria ainda mais a sucessão de Azevêdo.

Independentemente do resultado, o julgamento reforça a necessidade de maior transparência e lisura no processo eleitoral. A Paraíba, que já enfrenta desafios como informalidade laboral alta, dependência do Bolsa Família e avanço do crime organizado, não pode permitir que dúvidas sobre a legitimidade das urnas de 2024 contaminem o debate de 2026. O TRE-PB tem a responsabilidade de julgar com imparcialidade, mas o eleitor paraibano, cada vez mais atento, será o juiz final nas urnas.