Acusações de funcionários fantasmas e desvio de recursos públicos amplificam crise envolvendo presidente da Câmara
Da Redação
O subprocurador-geral Lucas Rocha Furtado, do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU), solicitou, nesta segunda-feira (18), uma investigação sobre movimentações financeiras no gabinete do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), para apurar indícios de rachadinha, funcionários fantasmas e acumulação indevida de cargos públicos. O pedido, baseado em reportagens do Metrópoles e da Folha de S.Paulo, aponta que a chefe de gabinete de Motta, Ivanadja Velloso Meira Lima, detém procurações com “poderes amplos e ilimitados” para movimentar salários de dez funcionários e ex-funcionários, totalizando mais de R$ 4,1 milhões desde 2011. Furtado solicita que o TCU instaure uma Tomada de Contas Especial para apurar danos ao erário e responsabilizar os envolvidos, incluindo Motta, por improbidade administrativa.
As denúncias destacam casos como o de Ary Gustavo Xavier Guedes Soares, motorista e caseiro de uma fazenda de Motta na Paraíba, lotado no gabinete em Brasília desde 2011, e Gabriela Batista Pagidis, fisioterapeuta que acumulou R$ 807,5 mil em salários enquanto trabalhava em clínicas privadas. Ivanadja, ré em ação de improbidade por um esquema semelhante no gabinete do deputado Wilson Santiago (Republicanos-PB), teria usado procurações para controlar contas de servidores, incluindo um funcionário que desconhecia seu próprio salário. Furtado também pediu que o TCU recomende à Câmara medidas para reforçar o controle interno e que o caso seja encaminhado ao Ministério Público Federal (MPF) para apurar responsabilidades cíveis e criminais.
Motta, que não se manifestou sobre as acusações, enfrenta críticas crescentes. A oposição, incluindo deputados como Cabo Gilberto Silva (PL-PB), amplifica as denúncias, enquanto aliados, como o líder do PT, Lindbergh Farias, minimizam o caso como “ataques políticos”. O escândalo, somado a críticas por sua gestão durante a obstrução do plenário em agosto e denúncias de uso indevido de recursos públicos, como uma viagem em jatinho custeada pelo Fundo Partidário, intensifica a pressão sobre Motta na Paraíba, onde sua família, incluindo o pai, Nabor Wanderley, prefeito de Patos, também é alvo de investigações por má gestão de recursos.


