quinta-feira, março 5, 2026
HomePolíticaSomente dois parlamentares paraibanos assinam pedido de CPI do INSS que investiga...

Somente dois parlamentares paraibanos assinam pedido de CPI do INSS que investiga roubo em aposentadorias

Date:

Cabo Gilberto e Wellington Roberto são os únicos da Paraíba a apoiar investigação de fraudes bilionárias no INSS

Apenas dois deputados federais da bancada paraibana — Cabo Gilberto Silva (PL) e Wellington Roberto (PL) — assinaram o requerimento protocolado nesta quarta-feira (30), para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara dos Deputados destinada a investigar fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Com 185 assinaturas no total, a CPI, liderada pelo deputado Coronel Chrisóstomo (PL-RO), visa apurar desvios de R$ 6,3 bilhões em descontos não autorizados de aposentados e pensionistas entre 2019 e 2024, conforme relatório da Controladoria-Geral da União (CGU). A baixa adesão da Paraíba levanta questões sobre a posição do estado em um escândalo nacional. Por que tão poucos?

Cabo Gilberto, líder bolsonarista e pré-candidato ao Senado em 2026, e Wellington Roberto, veterano do PL, alinharam-se à oposição, que vê na CPI uma chance de pressionar o governo Lula, com desaprovação em alta. “É um roubo contra os mais vulneráveis. Vamos identificar quem lucrou”, declarou Cabo Gilberto.

A investigação foca em sindicatos e associações, como o Sindnapi, ligado a Frei Chico, irmão de Lula, que teve repasses 564% maiores entre 2020 e 2024 (Estadão, 29/04/2025). O caso já derrubou o presidente do INSS, Alessandro Stefanuto, e seis servidores, além de colocar o ministro Carlos Lupi (PDT) na mira.

A ausência de outros paraibanos, como Hugo Motta (Republicanos), presidente da Câmara, e os deputados do PP e PSB, aliados de João Azevêdo, sugere cautela ou divisão política. Motta, que decidirá sobre a instalação da CPI, enfrenta pressão por sua proximidade com Lula e Alexandre de Moraes, o que pode afastá-lo de pautas bolsonaristas.

A bancada governista, com 25 assinaturas do União Brasil e 17 do PP, apoiou a CPI, mas na Paraíba, a base de Azevêdo parece evitar o confronto direto, possivelmente para não desgastar a campanha de Cícero Lucena ou Lucas Ribeiro em 2026. “A investigação já está com a PF. Uma CPI agora é politicagem”, disse um assessor do PSB em off para o NBN Paraíba.

A Paraíba, onde descontos indevidos também atingiram beneficiários, poderia ter maior protagonismo, mas a oposição local, liderada por Romero Rodrigues (Podemos) e Efraim Filho (União Brasil), ainda não se manifestou com força. Com apenas Gilberto e Roberto na linha de frente, a CPI reflete a polarização estadual: de um lado, o bolsonarismo busca capital político; de outro, a base governista joga na retranca. Se instalada, a CPI pode expor mais detalhes do esquema — ou virar palco de embates eleitorais antecipados.