O movimento reflete insatisfação com o papel secundário do partido na base aliada do governador João Azevêdo
Da Redação
O Partido dos Trabalhadores (PT) na Paraíba surpreendeu ao indicar a possibilidade de lançar uma candidatura própria ao Governo do Estado em 2026, contrariando compromissos anteriores de apoiar o presidente da Assembleia Legislativa, Adriano Galdino (Republicanos), e a promessa do vice-governador Lucas Ribeiro (PP) de garantir um palanque para a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O movimento reflete insatisfação com o papel secundário do partido na base aliada do governador João Azevêdo (PSB) e críticas à conjuntura nacional do Progressistas (PP), liderado por Ciro Nogueira, que se posiciona contra Lula.
O PT avalia uma candidatura própria ao governo e ao Senado, buscando maior protagonismo após anos de alianças sem liderar chapas majoritárias na Paraíba. O OPT vem sendo marginalizado nas articulações da base governista. O PT rejeita Lucas Ribeiro como sucessor de Azevêdo, citando o posicionamento anti-Lula de Ciro Nogueira, que negou garantia de palanque para Lula na Paraíba, desmentindo a senadora Daniella Ribeiro (PP).
Especula-se que o ex-governador Ricardo Coutinho (PT), que retornou ao partido em 2021 e disputou o Senado em 2022, possa ser um dos cotados. No entanto, a nova presidente do PT na Paraíba, deputada Cida Ramos, que assumiu após as eleições internas do partido em julho, declarou que o PT tende a permanecer na base de Azevêdo, apontando Lucas Ribeiro como o “candidato natural”. Essa contradição expõe divisões internas no PT, com Ramos priorizando a unidade com o PSB, enquanto outra ala defende maior autonomia.
A promessa de apoio a Galdino, feita por setores do PT ligados a Coutinho, foi enfraquecida pela posição de Ramos, que destacou que decisões passarão pelo diretório estadual e nacional. Galdino mantém apoio do PT Nacional, mas enfrenta resistência na base após seu acordo com Cícero Lucena (PP), que lidera com 33,83% (DataRanking/Fonte83).
A possibilidade de uma candidatura própria do PT pode fragmentar ainda mais a base, beneficiando opositores como Efraim Filho (União Brasil, 16,06%) e Pedro Cunha Lima (PSD, 15,09%) (DataRanking/Fonte83).
O PT, que aprovou em 30 de novembro de 2024 uma resolução reivindicando espaço na chapa majoritária, busca capitalizar o apoio a Lula, apesar de sua baixa aprovação. A decisão final sobre candidaturas será tomada em convenções em 2026, mas a sinalização indica um reposicionamento estratégico, que pode incluir nomes como Coutinho ou até uma aliança com partidos de centro, como ocorreu em Campina Grande em 2024.


