Operação integrada contra facção resulta na captura do paraibano foragido por homicídio e tráfico; Doca, principal alvo, segue foragido com recompensa de R$ 100 mil
Da Redação
A Polícia Federal prendeu, nesta quinta-feira (30), Elenildo Silva do Nascimento, conhecido como “Júnior Pop”, de 31 anos, em uma embarcação na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro. O suspeito, integrante de alto grau do Comando Vermelho (CV), estava foragido da Justiça da Paraíba por crimes de homicídio, tráfico de drogas, associação ao tráfico e organização criminosa. A captura ocorreu durante uma operação contra a facção, coordenada pelo Núcleo Especial de Polícia Marítima (NEPOM/RJ), envolvendo monitoramento noturno e uso de patrulhas costeiras.
De acordo com a PF, Júnior Pop foi localizado em um navio de serviços offshore ancorado, aguardando atracar no Porto de Niterói. Agentes federais o abordaram, transferiram para uma lancha operacional e o entregaram à equipe terrestre no porto. Ele foi levado à Superintendência Regional da PF, na Praça Mauá, para procedimentos judiciais, e depois ao sistema prisional do Rio, onde permanece à disposição da Justiça. A operação cumpriu dois mandados de prisão preventiva contra o paraibano, que atuava há anos no CV e possuía histórico criminal extenso.
A ação faz parte de uma megaoperação contra o Comando Vermelho no Rio, que deixou mais de 120 mortos em 28 de outubro, na Operação Contenção, nos complexos da Penha e do Alemão. O principal alvo, Edgar Alves de Andrade, conhecido como “Doca” ou “Urso”, de 55 anos, paraibano nascido em Caiçara em 1970 e criado na Vila Cruzeiro, escapou. Doca, segundo na hierarquia do CV após Marcinho VP e Fernandinho Beira-Mar (ambos presos), responde por mais de 100 homicídios, incluindo execuções de crianças e desaparecimentos, e tem 35 mandados de prisão em aberto.
Ele é investigado por tortura, tráfico e lavagem de dinheiro, e a Polícia Civil do RJ oferece R$ 100 mil de recompensa por informações sobre seu paradeiro — o segundo maior valor do Disque Denúncia, igual ao de Fernandinho Beira-Mar em 2000.
Doca, que entrou para o crime há 20 anos e foi preso em 2007 por porte de arma e tráfico, fugiu do semiaberto e assumiu liderança no CV. Ele é ligado a casos como a morte de três médicos na Barra da Tijuca em 2023 e o deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos (TH Joias), preso em 2025 por tráfico e lavagem. A operação, que cumpriu 100 mandados de prisão e 180 de busca, foi criticada pela ONU por letalidade, mas o secretário de Segurança do RJ, Victor Santos, admitiu o fracasso na captura de Doca.
Na Paraíba, a prisão de Júnior Pop reforça ações contra facções, como a Stakeholders II em 18 de setembro. O estado monitora ramificações do CV.


