Parto normal após cesárea não aumenta riscos para mãe e bebê

Dra. Bruna Pitaluga - médica especializada em Ginecologia e Obstetrícia (Foto Tereza Sá)

Receio seria por conta de chances de haver ruptura uterina. Mas, segundo a médica obstetra Bruna Pitaluga, risco é baixo, principalmente se a incisão do parto cesárea tiver sido horizontal e realizada na parte inferior do útero

Há um mito de que mulheres que tiveram o primeiro filho via parto cesárea não podem ter seu segundo filho através de parto normal, em razão do risco trazido à criança e à mãe.  Explica-se o receio porque há chance de que haja a ruptura uterina, rompimento total ou parcial do miométrio, comunicando a cavidade uterina à cavidade abdominal, que pode levar a morte materna e do feto ou recém-nascido

Médica obstetra com mais de 20 anos de experiência profissional, Dra. Bruna Pitaluga explica que, na atualidade, percebe-se que gestantes que já passaram por uma cesárea e na próxima gestação optam por um parto normal apresentam risco baixo de ruptura uterina, principalmente se a incisão do parto cesárea tiver sido horizontal e realizada na parte inferior do útero.

Tanto é assim, que, conforme a Organização Mundial de Saúde (OMS), de 60% a 80% das gestantes podem ser submetidas a um parto normal depois da primeira cesárea sem riscos graves à saúde da mãe e do bebê.

Não obstante o risco não ser tão alto, Dra. Bruna alerta que os fatores que resultaram no processo de cesárea precisam ser avaliados e acompanhados adequadamente ao longo de todo o pré-natal por uma equipe de profissionais de saúde capacitados. “Além disso, é indispensável a atenção redobrada para controlar as variáveis da nova gestação e evitar a necessidade de outro por cesárea”, afirma.

Conforme a médica obstetra, independentemente de o primeiro parto ter sido cesárea ou não, o que realmente determinará o tipo de parto da próxima gestação são os cuidados necessários ao longo do pré-natal. Mesmo para parto normal isso é regra.

Dra. Bruna afirma que após um primeiro parto normal, aumentam-se as chances de a segunda gestação terminar da mesma maneira. “Isto porque o organismo materno adquire informações sobre o processo gestacional como um todo, estabelecendo um ‘imprinting’, ou seja, uma espécie de carimbo, estabelecido através do microquimerismo para as gestações seguintes”, explica.

Contudo, segundo a médica obstetra não se trata de uma garantia única e exclusiva de que a gestação posterior apresentará condições ideais para um parto normal. “Afinal, o parto é o resultado de um processo fisiológico que acontece desde a fecundação” diz.

Assim, segundo ela, só será possível estabelecer condições favoráveis para um parto normal, se houver um acompanhamento apropriado e gerenciamento de fatores como o controle de estresse, prática de atividade física, alimentação e suplementação adequados.

Ante qualquer mudança ou variável, como diabetes gestacional, por exemplo, Dra. Bruna pondera que se elevam as precauções em relação a um parto normal. “Apesar de a condição não ser impeditivo para um parto normal, toda e cada gestação é um processo que envolve um feto com informações metabólicas distintas”, diz.

Por fim, a médica obstetra ressalta que a forma de parto preferencial deve ser sempre o fisiológico, por via vaginal, ou seja, o parto normal. Conforme Dra. Bruna, partos por cesárea são indicados somente em casos que podem oferecer riscos tanto à mãe quanto à criança e estão relacionados a questões médicas relativas a problemas na gestação.

Sobre Dra. Bruna Pitaluga

Formação em Medicina pela Universidade de Brasília – UnB

Residência Médica em Ginecologia e Obstetrícia pela Universidade de Brasília – UnB

Pós-graduação em Nutrologia pela Associação Brasileira de Nutrologia – ABRAN

Especialização em Medicina Funcional pelo Instituto de Medicina Funcional – IFM, EUA

Curso em Nutrigenômica pela Universidade da Carolina do Norte – UNC, EUA

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