quinta-feira, março 5, 2026
HomePolíticaOposição obstrui Câmara e Senado após prisão domiciliar de Bolsonaro; Congresso Nacional...

Oposição obstrui Câmara e Senado após prisão domiciliar de Bolsonaro; Congresso Nacional paralisado

Date:

Parlamentares de oposição bloqueiam atividades legislativas em protesto contra decisão de Alexandre de Moraes

Da Redação

A oposição, liderada por deputados e senadores do Partido Liberal (PL) e aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), iniciou uma obstrução nas atividades da Câmara dos Deputados e do Senado Federal nesta terça-feira (5), em resposta à decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a prisão domiciliar de Bolsonaro na véspera.

A paralisação, confirmada por fontes do G1 e Folha de S.Paulo, impede a tramitação de projetos, incluindo a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026, paralisando o Congresso Nacional. A ação ocorre em meio a protestos da oposição, como o ato “Reaja Brasil” em João Pessoa, e reflete a escalada de tensões com o STF e o governo Lula.

A obstrução foi liderada por parlamentares como os deputados Nikolas Ferreira (PL-MG) e Eduardo Bolsonaro (PL-SP), além do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que classificaram a decisão de Moraes como “ditatorial” e “vingança” pelas sanções dos EUA contra o ministro.

Flávio afirmou à CNN Brasil que “o Brasil vive uma ditadura” e prometeu intensificar a pressão por anistia aos presos do 8 de janeiro de 2023. A decisão de Moraes, que cita o descumprimento de medidas cautelares por Bolsonaro, como uso de redes sociais em ato em Copacabana, também gerou críticas de aliados na Paraíba, como o ex-ministro Marcelo Queiroga (PL) e o senador Efraim Filho (União Brasil), que chamaram a medida de “inadequada” e “desproporcional”.

Na Câmara, presidida por Hugo Motta (Republicanos-PB), deputados de oposição bloquearam votações, exigindo a discussão de um projeto de anistia e o impeachment de Moraes. No Senado, sob Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), a obstrução incluiu a suspensão de comissões, como já havia ocorrido em 22 de julho, quando Motta vetou reuniões durante o recesso.

O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), criticou a paralisação, afirmando que “a oposição usa o Congresso como palanque político, prejudicando o país”. O presidente Lula (PT) reiterou apoio a Moraes, chamando as ações da oposição de “tentativas de desestabilização”.

A crise é agravada pelas sanções do presidente dos EUA, Donald Trump, que impôs tarifas de 50% sobre produtos brasileiros e restrições a Moraes, via Lei Magnitsky, em apoio a Bolsonaro. Analistas, como Creomar de Souza, da Dharma Political Risk, alertam que a obstrução pode fortalecer a oposição para 2026, mas também expõe a fragilidade da articulação governista, com o Congresso parado às vésperas de decisões orçamentárias cruciais.