Governador da Paraíba afirma que saída de Cícero da base foi unilateral e não se encaixa em projeto coletivo
Da Redação
O governador da Paraíba, João Azevêdo (PSB), confirmou, nesta segunda-feira (8, o rompimento político com o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, afirmando que a decisão foi unilateral e motivada por um “projeto pessoal” do gestor. Azevêdo atacou Cícero por priorizar ambições individuais em detrimento do coletivo, destacando que o governo não rompeu com ninguém.
“Foi uma escolha dele. O governo não rompeu com ninguém. Ele quis, por um projeto pessoal, se distanciar. Eu respeito, não concordo, mas respeito,” declarou, comentando a reunião na Granja Santana, em 5 de setembro, onde Cícero oficializou sua saída da base aliada.
Azevêdo enfatizou que a conversa na Granja foi uma comunicação formal do rompimento, onde Cícero colocou sua candidatura ao governo como prioridade. “Foi uma conversa onde ele colocou o seu projeto pessoal de ser candidato. Como é um projeto pessoal, ele não se encaixa em um projeto coletivo,” resumiu o governador, que cotado para o Senado, indicou o vice-governador Lucas Ribeiro (PP) como o nome preferido para a sucessão.
A declaração confirma o fim da parceria construída desde 2020, quando o PSB apoiou Cícero na eleição à prefeitura de João Pessoa, e reflete o racha na base governista, composta por PSB, PP, Republicanos.
Cícero, que anunciou sua desfiliação do Progressistas (PP), justificou a saída pela falta de critérios justos na escolha do candidato da base e pela indefinição no comando da federação União Progressista (PP e União Brasil). Ele confirmou sua pré-candidatura ao governo, afirmando que pesquisas indicam seu nome como o preferido, e declarou apoio a Azevêdo para o Senado, mas o governador demonstrou desconfiança, dizendo que “não existe estar em dois cantos” e que o voto de Cícero pode ser sigiloso.
Cícero, que recebeu convite do MDB para se filiar, deve anunciar seu novo partido após viagem à Espanha, e sua aproximação com a oposição, intensificou o desgaste. O rompimento aprofunda a crise na base, com Lucas Ribeiro considerando o episódio como “página virada” e reforçando sua pré-candidatura, enquanto Adriano Galdino (Republicanos) critica Lucas por falta de experiência.
A oposição, liderada por Efraim Filho (União Brasil, 16,06%), Pedro Cunha Lima (PSD, 15,09%) e Veneziano Vital do Rêgo (MDB), vê na saída de Cícero uma oportunidade para atrair o prefeito, que lidera com 33,83% nas pesquisas (DataRanking/Fonte83). Azevêdo, que cobra fidelidade do vice-prefeito Léo Bezerra (PSB), que assumirá a prefeitura, alertou que o grupo priorizará a continuidade do projeto coletivo para 2026.


