quinta-feira, março 5, 2026
HomeBrasilImprensa nacional intensifica críticas à censura e ao estado de exceção no...

Imprensa nacional intensifica críticas à censura e ao estado de exceção no Brasil

Date:

Editoriais de grandes veículos de comunicação questionam decisões judiciais e apontam riscos à liberdade de expressão em 2025

Da Redação

Grandes veículos de comunicação do Brasil, como O Estado de S. Paulo, Folha de S.Paulo, O Globo e Veja, publicaram editoriais e reportagens em 2025 denunciando práticas de censura e o que classificam como um estado de exceção no país. As críticas, que ganharam força nos últimos meses, destacam decisões judiciais que restringem a liberdade de imprensa e expressão, com foco em ações do Supremo Tribunal Federal (STF) e, em particular, do ministro Alexandre de Moraes.

Nesta quarta-feira (23), O Estado de S. Paulo publicou um editorial intitulado “Um caso escandaloso de censura”, apontando decisões de Moraes como abusivas e motivadas por interesses políticos, em um contexto de polarização. O texto argumenta que tais medidas reforçam a percepção de que o STF extrapola suas atribuições, comprometendo a democracia.

No mesmo período, O Globo e Veja publicaram conteúdos destacando a censura prévia como inaceitável em 2025, enquanto a Folha de S.Paulo abordou o impacto de decisões judiciais na liberdade de imprensa, citando casos como a condenação do humorista Léo Lins a mais de oito anos de prisão por conteúdos considerados ofensivos.

A imprensa também relatou a pressão sobre jornalistas e veículos, incluindo ameaças virtuais e processos judiciais. Segundo a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV (Abert), o Brasil registrou 112 violações à liberdade de imprensa em 2023, com redução de 19% em relação a 2022, mas ainda com índices preocupantes.

Especialistas consultados pelos veículos apontam para uma “judicialização da política”, onde decisões do Judiciário são usadas para limitar a circulação de informações, prática que remete a períodos autoritários, como a ditadura militar (1964-1985).

A reação da imprensa ocorre em um contexto de crescente debate sobre a liberdade de expressão, intensificado por decisões como a do STF em 2025, que responsabilizou plataformas digitais por conteúdos de usuários, exigindo remoção de publicações sem ordem judicial em casos específicos. A medida foi criticada pela Human Rights Watch como violação aos princípios de liberdade de expressão da ONU. Até o momento, o STF e o governo federal não emitiram respostas oficiais às críticas recentes.