Presidente da Câmara viajou a São Paulo, Nova York e Lisboa em agendas com setor financeiro, custando milhares aos cofres públicos
Da Redação
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), utilizou aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) em sete ocasiões no primeiro semestre de 2025 para participar de eventos com representantes do mercado financeiro, segundo denúncia do UOL publicada nesta terça-feira (29). As viagens, que incluíram destinos como São Paulo, Nova York e Lisboa, envolveram compromissos como jantares e seminários com empresários, muitos sem relação direta com atividades legislativas.
Entre os eventos, destacam-se uma reunião com CEOs de bancos da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) e da Confederação Nacional das Instituições Financeiras (CNF) em São Paulo, em 19 de maio, seguida de um almoço com o Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV) e um jantar na residência do ex-governador João Doria, organizado pelo grupo Lide, com 50 empresários.
Internacionalmente, Motta esteve em Nova York para encontros com o mercado financeiro e em Lisboa, em julho, para o Fórum Jurídico, conhecido como “Gilmarpalooza”, com custo de US$ 10,9 mil (R$ 60,9 mil) em diárias da tripulação, conforme revelado por O Globo via Lei de Acesso à Informação (LAI).
A Aeronáutica classificou os custos com combustível como sigilosos por cinco anos, e a Câmara recusou divulgar a lista de passageiros, alegando “motivos de segurança”.
A ONG Transparência Brasil criticou a falta de clareza, sugerindo que o uso das aeronaves pode atender a interesses privados de Motta, em desacordo com a transparência exigida. O decreto de 2020 que regula voos da FAB permite seu uso por presidentes da Câmara, Senado e STF para emergências, segurança ou serviço, mas a natureza das agendas de Motta levanta questionamentos sobre a adequação.


