quinta-feira, março 5, 2026
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Hugo Motta e os afagos a Lula não passam de conveniência política para eleger Nabor Wanderley ao Senado

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Mídia nacional expõe que aproximação de Motta com Lula pode ser estratégia para emplacar pai na chapa majoritária da Paraíba em 2026

A mídia nacional tem destacado que os recentes “afagos” do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não seriam apenas gestos de harmonia institucional, mas um jogo de conveniência eleitoral. Segundo colunista do UOL, Carlos Madeiro, Motta estaria buscando apoio de Lula para impulsionar a candidatura de seu pai, o prefeito de Patos, Nabor Wanderley (Republicanos), ao Senado pela Paraíba em 2026, em meio a um racha na base governista estadual.

Essa articulação, que envolve negociações para uma chapa forte com o vice-governador Lucas Ribeiro (PP) e o governador João Azevêdo (PSB), expõe as tensões entre pragmatismo político e lealdades partidárias, em um estado onde o centrão busca dominar o tabuleiro eleitoral.

A Paraíba vive um momento de fragmentação na base aliada de Azevêdo, que planeja disputar o Senado e precisa definir sua sucessão ao governo. Motta, aos 35 anos e com rejeição de 68% nacionalmente (AtlasIntel), tem se aproximado de Lula para garantir espaço ao pai, que aparece atrás nas pesquisas para o Senado. Nabor, prefeito de Patos desde 2021, precisa de uma chapa competitiva e do aval petista para viabilizar sua postulação, especialmente em um estado onde o PT ainda tem influência, mas a esquerda está enfraquecida.

De acordo com Madeiro, Motta visa emplacar Nabor em uma composição com Lucas Ribeiro (candidato ao governo) e Azevêdo (ao Senado), oferecendo ao PT a indicação do vice-governador na chapa — um “casamento perfeito” que garantiria o apoio de Lula. “Hugo vai ajudar na Câmara a partir de agora”, diz um aliado ouvido pela coluna. Essa estratégia explica os elogios recentes de Motta a Lula, como em discursos onde o citou como “eleito três vezes, caminhando para a quarta”, contrastando com suas críticas passadas ao governo federal.

O racha na base lulista na Paraíba agrava o cenário: Azevêdo apoia Lucas, sobrinho do deputado Aguinaldo Ribeiro (PP), enquanto Cícero Lucena (PP), prefeito de João Pessoa, e Adriano Galdino (Republicanos), presidente da ALPB, articulam uma chapa conjunta fora da base se necessário.

Motta, que já enfrentou acusações de “capacho do STF” por Silas Malafaia, usa sua posição na Câmara para negociar favores, como emendas e pautas, em troca de lealdade local.

A oposição não perdoa. Na redes sociais ele é ironizado: “Hugo exige de Lula apoio ao seu pai, pré-candidato ao Senado na Paraíba. Felizmente, na PB, o senador de Lula é Veneziano, sempre leal”. Em outras postagens vão além: “Hugo Motta está usando a presidência da casa para fazer acordos com Lula para apoiar seu pai para o senado. Interesses pessoais sempre na vanguarda”. Em outro momenrto um alerta: “Hugo Motta está muito queimado. Se continuar traindo o presidente Lula… será derrotado nas urnas aqui da Paraíba e ainda vai ver o pai ser derrotado para o senado também”.

Motta rebateu as acusações em entrevista ao Correio Debate em julho, afirmando que sua aproximação com Lula é “pelo bem da Paraíba” e que prioriza o diálogo. No entanto, o escândalo das funcionárias fantasmas (R$ 807,5 mil pagos irregularmente) e a barração de Eduardo Bolsonaro na liderança da minoria, vista como obediência a Alexandre de Moraes, minam sua credibilidade.

O PL, que o acusa de descumprir acordos, planeja recorrer ao STF, intensificando o fogo cruzado.

Essa jogada de conveniência pode custar caro a Motta, pois o povo está frustrado com a carga tributária de 32,4% do PIB e escândalos como o “roubo aos aposentados” no INSS, pode punir o centrão se perceber oportunismo. A base de Azevêdo, rachada entre Cícero-Galdino e Lucas, vê Motta como peça chave, mas sua dependência de Lula (55% de desaprovação) aliena conservadores.

A oposição, com Efraim Filho e Cabo Gilberto (PL), capitaliza o episódio, enquanto a esquerda, fragmentada, perde terreno. Se Nabor não decolar, o plano familiar de Motta pode virar armadilha, transformando afagos em tiros no pé.