Presidente da Câmara adota postura discreta para conter avanço de pautas da oposição, mas enfrenta críticas por suposta ausência
Da Redação
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), tem adotado uma postura de baixa exposição pública em meio à crise institucional que paralisa o Congresso Nacional, após a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A obstrução das atividades na Câmara e no Senado, liderada por deputados e senadores do PL e aliados da oposição, inclui a interrupção de votações, como a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026, em protesto contra Moraes.
A suposta “ausência” de Motta, amplamente comentada em redes sociais, é interpretada como uma estratégia para evitar que o vice-presidente da Câmara, Altineu Côrtes (PL-RJ), assuma a presidência interina e paute o projeto de anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro. Muitos parlamentares acusam Motta de “sumir” ou “fechar o Congresso” para proteger Moraes, que enfrenta sanções dos EUA via Lei Magnitsky e críticas por “abusos de autoridade”.
No entanto, fontes do G1 confirmam que Motta permanece em Brasília, participando de reuniões internas com líderes partidários para negociar a retomada da agenda legislativa. A sua última postagem em redes sociais, em 30 de julho, afirmou que “o Brasil não pode apoiar sanções de nações estrangeiras a membros de qualquer Poder”, referindo-se às medidas de Donald Trump contra Moraes, reforçando sua posição de defesa de Lula e Moraes.
A estratégia de Motta é evitar viagens ao exterior que permitiriam a Côrtes, que declarou nesta terça sua intenção de pautar a anistia, assumir temporariamente a presidência. Motta já havia frustrado a oposição em 22 de julho, quando proibiu reuniões de comissões durante o recesso, bloqueando moções de apoio a Bolsonaro. A decisão foi criticada por deputados como Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), que a chamou de “antirregimental”.
A crise é agravada pelas denúncias contra Motta, como o uso de aviões da FAB para eventos com empresários e a contratação de funcionárias fantasmas que enfraquecem sua posição. Na Paraíba, aliados como João Azevêdo (PSB) evitam comentar a crise, enquanto opositores, como Marcelo Queiroga (PL) e Efraim Filho (União Brasil), intensificam críticas ao STF. A postura de Motta, evitando confrontos diretos, reflete a tentativa de equilibrar pressões do governo Lula e da oposição, mas sua suposta “ausência” alimenta narrativas de que está se esquivando da crise.


