Editorial critica despesa de R$ 1 bilhão anual com assessores sem controle e exige transparência do presidente da Casa
Da Redação
Um editorial da Folha de S.Paulo, publicado neste sábado (26), cobrou ações do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), para reduzir gastos da Casa, estimados em mais de R$ 1 bilhão por ano com 10 mil assessores sem controle de presença.
A crítica foi motivada por denúncias de que Motta empregou três funcionárias fantasmas em seu gabinete, reveladas pelo jornal em 15 de julho. As servidoras — uma fisioterapeuta, uma estudante de medicina e uma assistente social da Prefeitura de João Pessoa — tinham rotinas incompatíveis com a jornada de 40 horas semanais exigida para o cargo de secretária parlamentar, sem necessidade de registro biométrico.
Após a denúncia, Motta demitiu duas das funcionárias, Gabriela Pagidis (R$ 11,4 mil de salário) e Monique Magno (R$ 1,7 mil), em 15 de julho, com exonerações publicadas no Diário Oficial da União. A terceira, Louise Lacerda, estudante de medicina e filha de um aliado político, permanece no cargo.
O editorial destaca que a validação do trabalho dos assessores depende apenas de atestados dos próprios gabinetes, sem fiscalização efetiva, e critica a falta de transparência, já que Motta recusou fornecer registros de ponto. O texto também menciona que o parlamentar empregou cinco parentes dessas servidoras, prática não irregular, mas questionável.
O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) pediu investigação, classificando o caso como “grave descaso com recursos públicos”. A Folha exige que Motta lidere esforços para implementar controles rigorosos, como biometria obrigatória, e reduzir despesas, alertando que a ausência de reformas compromete a credibilidade da Câmara em meio a pressões fiscais e políticas.


