Governador da Paraíba descarta afastamento de auxiliares, sai em defesa de aliados, e classifica denúncia do Ministério Público como “extremamente frágil”
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O governador da Paraíba, João Azevêdo (PSB), quebrou o silêncio sobre as denúncias do Ministério Público no caso Padre Zé e tomou uma posição firme: não afastará os secretários estaduais envolvidos. Nesta segunda-feira (24), durante uma solenidade oficial, Azevêdo abordou o tema pela primeira vez, defendendo seus auxiliares e questionando a solidez das acusações.
A decisão, que já circula nos bastidores há dias, reacende debates sobre a gestão da crise política no estado e os rumos do governo às vésperas das articulações para 2026.
O caso Padre Zé envolve denúncias graves contra secretários como Pollyanna Dutra (Desenvolvimento Humano) e Tibério Limeira (Administração), acusados pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB) de integrarem um suposto esquema de propinas ligado à gestão do Hospital Padre Zé, em João Pessoa.
Apesar da gravidade, Azevêdo minimizou o impacto das acusações. “Com respeito em primeiro lugar, oferecendo todas as possibilidades, é uma coisa extremamente frágil”, declarou o governador, sugerindo que as provas apresentadas pelo MPPB não justificam medidas drásticas como o afastamento de seus aliados.
A postura contrasta com ações anteriores do próprio Azevêdo. Durante a Operação Calvário, por exemplo, ele afastou secretários investigados, demonstrando cautela diante de escândalos. Agora, a decisão de manter Pollyanna e Tibério — ambos do PSB e peças-chave em sua administração — levanta questionamentos sobre os critérios adotados.
Nos corredores do Palácio da Redenção, comenta-se que o governador vê na denúncia uma tentativa de desgaste político, especialmente em um momento em que sua base se organiza para a sucessão estadual e sua possível candidatura ao Senado.
A escolha também tem implicações práticas e simbólicas. Pollyanna e Tibério são figuras influentes no governo e no partido, com papel estratégico em políticas sociais e na articulação com a base aliada. Mantê-los fortalece a coesão interna, mas pode alimentar críticas da oposição, que já cobra explicações sobre o suposto desvio de R$ 140 milhões no caso Padre Zé.
Enquanto isso, o MPPB segue firme, com o Gaeco (Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado) apontando indícios de “devoluções” de empresas contratadas como forma de propina, o que coloca a gestão estadual sob pressão.
O timing da declaração de Azevêdo, em meio a uma solenidade pública, não parece casual. Ao tratar o tema de forma direta, ele busca controlar a narrativa e evitar que o caso ganhe proporções maiores na opinião pública. “Estamos focados em entregar resultados para a Paraíba”, enfatizou, tentando desviar o foco para obras e programas sociais.
No entanto, a estratégia pode não ser suficiente para calar as vozes que exigem transparência. À medida que 2026 se aproxima, o caso Padre Zé pode se transformar em um teste de fogo para João Azevêdo. Sua decisão de bancar os secretários reflete confiança na equipe e na fragilidade das denúncias, mas também expõe o governo a um desgaste que a oposição certamente explorará. Por ora, o governador segue no comando do tabuleiro, mas o desenrolar das investigações será decisivo para medir o custo político dessa escolha.
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