Presença do prefeito de João Pessoa em evento da oposição, ao lado de Cássio, reacende rumores de reaproximação política
Da Redação
O prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (PP), participou, na noite desta sexta-feira (8), da estreia do curta-metragem Habeas Pinho no Teatro Municipal Severino Cabral, em Campina Grande, inspirado em um poema do ex-governador Ronaldo Cunha Lima. O evento, que reuniu o ex-senador Cássio Cunha Lima (PSD), filho de Ronaldo, e outras lideranças da oposição, como o prefeito de Campina Grande, Bruno Cunha Lima (PSD), os senadores Veneziano Vital do Rêgo (MDB) e Efraim Filho (União Brasil), além do presidente da Câmara Municipal de João Pessoa, Dinho Dowsley (PP), gerou especulações sobre uma possível reaproximação política entre Cícero e o clã Cunha Lima para as eleições de 2026.
Cícero optou por não comparecer à plenária do Orçamento Democrático Estadual (ODE), realizada no mesmo horário em Campina Grande, presidida pelo vice-governador Lucas Ribeiro (PP), reforçando tensões na base aliada do governador João Azevêdo (PSB).
Cícero justificou sua presença no lançamento do filme como um gesto de amizade e história política compartilhada com Ronaldo Cunha Lima, de quem foi vice-governador entre 1991 e 1994, assumindo o governo após a renúncia de Ronaldo para disputar o Senado. “Não poderia deixar de comparecer, tendo em vista a profunda amizade que nutria por Ronaldo e pela história que construímos juntos,” declarou. Ele negou cunho político, mas sua ausência no ODE, confirmada previamente e justificada por “incompatibilidade de agenda”, foi interpretada como sinal de distanciamento da base governista.
Cássio Cunha Lima, em discurso, agradeceu a presença de Cícero e destacou a relevância política do encontro, dizendo: “O povo vai dizer muita coisa sobre sua vinda aqui. Mas deixem eles pensarem. Pensar é livre”. A frase alimentou especulações sobre uma possível reaproximação, considerando a histórica aliança entre Cícero e os Cunha Lima, rompida em 2010, quando Cássio, então governador, apoiou Ricardo Coutinho (PSB) em vez de Cícero para a disputa ao governo. Cícero, que já sinalizou abertura a alianças com a oposição, citando o “dinamismo da política”, mantém sua pré-candidatura ao governo.
O evento, que também contou com a presença de Adriano Galdino (Republicanos), pré-candidato ao governo e apoiado pelo PT, intensificou o racha na base aliada. Lucas Ribeiro, que presidia o ODE e reafirmou sua pré-candidatura no mesmo dia, declarando não abrir mão da disputa, enfrenta resistência de Cícero e Galdino, que firmaram um acordo para apoiar o melhor colocado nas pesquisas. Aguinaldo Ribeiro (PP), tio de Lucas, criticou o acordo como “incongruente”, enquanto Azevêdo tenta apaziguar as tensões, mas sem sucesso em unificar a base.
A presença de Cícero ao lado de Cássio, Veneziano e Efraim, figuras centrais da oposição, reforça rumores de que ele pode deixar o PP caso não seja o escolhido da base, especialmente após convite do PSDB para retornar à sigla. Pedro Cunha Lima (PSD) negou diálogo com Cícero, mas a oposição observa o racha governista como oportunidade para atrair dissidentes. O evento Habeas Pinho, que celebra o legado de Ronaldo Cunha Lima, tornou-se um palco político que pode redefinir alianças para 2026.


