sexta-feira, maio 1, 2026
HomeCarta de Minas pede expansão de lei para todas as pessoas vítimas...

Carta de Minas pede expansão de lei para todas as pessoas vítimas de violência sexual

Date:

O documento pede também a ampliação da rede de atendimento a todo o território brasileiro, hoje restrita a 11 estados e o DF

Belo Horizonte (MG) – A Carta de Minas pela Ampliação do Atendimento à Pessoa em Situação de Violência Sexual foi tirada na sexta-feira (8) durante o simpósio Avanços no Enfrentamento da Violência Sexual, na Procuradoria Geral do Estado. O documento defende que a Lei 13.239/15, que dispõe sobre a cirurgia plástica reparadora de sequelas de lesões causadas por atos de violência contra mulher no SUS, seja estendida a todas as pessoas vítimas de violência, independentemente de gênero. O documento pede também a ampliação da rede de atendimento a todo o território brasileiro, hoje restrita a 11 estados da federação e o Distrito Federal.

Durante o simpósio, promovido pelo Comitê Estadual de Gestão de Atendimento Humanizado às Vítimas de Violência Sexual (CEAHVIS), coordenado pela Secretaria de Estado de Direitos Humanos, Participação Social e Cidadania (Sedpac), os participantes do evento destacaram também a importância do atendimento humanizado às vítimas de violência sexual. Esse protocolo busca integrar o atendimento prestado pelos hospitais, além de potencializar a punição do agressor. Além do atendimento humanizado às vítimas nas unidades de saúde, ele busca garantir a cadeia de custódia do material genético da vítima (a coleta de material para resguardar a prova) e o depoimento especial de crianças e adolescentes pelo sistema de Justiça.

O secretário de Estado de Direitos Humanos, Participação Social e Cidadania, Nilmário Miranda, ressaltou que o papel de Minas é o de garantir os direitos. “São programas e ações para o enfrentamento à violência doméstica, para a igualdade de oportunidade em todos os lugares, na universidade, no trabalho, na geração de renda, e para o empoderamento das mulheres na política. Não é possível política sem as mulheres”, disse o secretário.

A superintendente de Enfrentamento à Violência contra Mulheres e presidente do CEAHVIS, Isabel Lisboa, salientou que a violência contra as mulheres ainda é gritante. “Temos que ter uma postura mais agressiva para enfrentarmos a violência contra as mulheres. Em 10 anos de Lei Maria da Penha, 54% dos feminicídios são praticados contra as mulheres negras”, disse, lembrando também que 90% da violência sexual em Minas são contra meninas.

A chefe da Polícia Civil em Minas, Andrea Cláudia Vacchiano, destacou a importância das parcerias no combate à violência sexual no estado, bem como a uniformização dos procedimentos de atendimento. “Precisamos amenizar essa situação”, disse, salientando que a Polícia Civil continua à disposição dessa rede de parceiros.

O evento contou ainda com a presença da secretária de Estado de Trabalho e Desenvolvimento Social, Rosilene Rocha, os promotores Celso Pena, Maria de Lourdes Santa Gema, Maria da Conceição de Assunção Melo, além de delegados, policiais militares e diversas autoridades.