sábado, março 7, 2026
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Estudo revela uso irregular do exame de Papanicolau em rastreamento de câncer de colo do útero

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Pesquisa da Fundação do Câncer aponta que 21,4% das mulheres submetidas ao exame estão fora da faixa etária recomendada pelo Ministério da Saúde e OMS

Um estudo realizado pela Fundação do Câncer, intitulado “Um Olhar sobre o Diagnóstico do Câncer do Colo do Útero no Brasil”, trouxe à luz um cenário preocupante: 21,4% das mulheres que realizam o exame citopatológico conhecido como Papanicolau, utilizado no Brasil para rastrear o câncer de colo do útero, estão fora da faixa etária recomendada pelo Ministério da Saúde e pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que é entre 25 e 64 anos de idade.

O exame, que deve ser realizado a cada três anos por mulheres que já iniciaram a atividade sexual, homens trans e pessoas não binárias designadas como mulher ao nascer, tem sido utilizado de forma inadequada. A pesquisa utilizou dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), realizada pelo Ministério da Saúde, para realizar suas análises.

Flávia Corrêa, consultora médica da Fundação do Câncer e colaboradora do estudo, destacou que muitas mulheres estão realizando o Papanicolau antes dos 25 anos, o que é problemático, pois essa faixa etária é propensa a infecções por HPV. A detecção de infecções nessa idade pode levar a investigações adicionais e tratamentos desnecessários. Ela também alertou que essa prática incorreta compromete todo o processo de cuidados posteriores, caso haja uma alteração no resultado.

O estudo também revelou que 45,7% das mulheres brasileiras que nunca fizeram o rastreamento da doença estão na faixa etária de 25 a 34 anos. Esse padrão se repete em todas as regiões do país, sendo ainda mais preocupante no Norte e Centro-Oeste, onde os índices atingem 51,5% e 52,9%, respectivamente.

O diretor executivo da Fundação do Câncer, cirurgião oncológico Luiz Augusto Maltoni, ressaltou que mulheres com baixa escolaridade são as mais afetadas, além de terem baixa renda, serem não casadas e pertencerem a grupos racializados. O estudo indica que apenas 40% das mulheres que realizaram o exame pelo SUS receberam os resultados em até 30 dias, enquanto na rede privada esse número supera 90%.

Flávia Corrêa enfatizou que o atual modelo de rastreamento no Brasil não é o mais adequado e que é necessária uma mudança para o teste molecular de detecção do HPV, indicado pela OMS em 2021. Esse teste é mais sensível e objetivo, permitindo um acompanhamento e tratamento mais eficazes.

A pesquisa destaca a importância da adesão às recomendações, da atualização das diretrizes, da divulgação nas universidades e da capacitação das equipes de atenção primária para garantir um sistema de rastreamento eficaz e adequado às necessidades das mulheres.