terça-feira, maio 12, 2026
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O crime e a política: facções criminosas avançam na Paraíba

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Envolvimento de políticos com organizações criminosas, omissão do poder público e domínio territorial de facções em Cabedelo e outras cidades paraibanas representam grave ameaça à democracia e à segurança, exigindo reação urgente da sociedade para impedir que o crime organizado dite os rumos das eleições de 2026

É lamentável e preocupante o crescente envolvimento de integrantes da classe política com organizações criminosas em municípios paraibanos. O que antes parecia um problema distante, restrito a estados como Bahia, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Ceará, agora se alastra pela Paraíba de forma alarmante. Cabedelo surge como o caso mais emblemático de omissão do poder público, mas outras cidades também caminham no mesmo risco de domínio territorial por facções.

Nas eleições municipais de 2024 já vimos sinais claros dessa influência, e para 2026 o alerta precisa ser ainda mais alto: a Paraíba não pode se render ao crime organizado.

A Operação Território Livre, deflagrada pela Polícia Federal, expôs o que muitos já suspeitavam: o aliciamento violento de eleitores e a possível infiltração de grupos criminosos no processo eleitoral. Em Cabedelo, o cenário é particularmente grave. Relatos de controle de territórios, nomeações suspeitas e influência direta no ambiente administrativo municipal revelam uma omissão perigosa do Estado.

Enquanto facções como Okaida, braço do Comando Vermelho na Paraíba, expandem suas redes, o poder público parece lento ou incapaz de reagir com firmeza, repetindo o erro cometido em estados vizinhos, onde o crime organizado passou de ameaça para realidade dominante.

O avanço não se limita a Cabedelo. Regiões metropolitanas de João Pessoa e outras cidades do interior mostram sinais de infiltração: aumento de homicídios, uso ostensivo de drogas na orla e relatos de coação em comunidades. A violência que chegou à Praia de Tambaú é apenas a ponta do iceberg. Quando o crime organizado passa a disputar espaço com o poder público, a democracia fica em risco. E nas eleições de 2026 surge a oportunidade perfeita para esses grupos tentarem influenciar candidaturas e resultados.

É urgente que a sociedade paraibana reaja. Candidatos, eleitores e instituições precisam colocar o combate ao crime organizado como prioridade absoluta. Não basta lamentar. É preciso cobrar do governo estadual e federal ações integradas de inteligência, desmantelamento de quadrilhas e, principalmente, transparência nas campanhas eleitorais.

A Paraíba não pode repetir o caminho de estados vizinhos, onde o medo substituiu a liberdade e o voto passou a ser ditado pela bala.

O momento exige coragem e vigilância. Se em 2024 já vimos tentativas de influência, em 2026 o risco é ainda maior. A população paraibana, conhecida por sua resiliência, precisa exigir candidatos comprometidos com a segurança e a lisura eleitoral. Caso contrário, o crime organizado não apenas dominará territórios — poderá dominar também o futuro político do estado.