sexta-feira, maio 1, 2026
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Opinião: o desespero de João

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Ex-governador João Azevêdo oferece apoio explícito à reeleição do prefeito Léo Bezerra em 2028 em troca de voto na disputa majoritária de 2026, revelando fragilidade política e desespero crescente diante do avanço da oposição e do racha interno que ameaça seus planos eleitorais na Paraíba

O ex-governador João Azevêdo (PSB), principal favorito à vaga de senador pela Paraíba em 2026, admitiu publicamente nesta quinta-feira (30) que poderá apoiar a reeleição do prefeito de João Pessoa, Léo Bezerra (PSB), nas eleições municipais de 2028. Em troca, Azevêdo cobra o voto do gestor na disputa ao Senado. A declaração, feita em entrevista, expõe um claro jogo de trocas políticas e sinaliza o crescente desespero do ex-governador para manter sua base unida em meio a um cenário cada vez mais adverso.

“Não tenha dúvida. Isso é um compromisso que não foi publicitado, mas é um compromisso interno. Ele, estando no PSB e sendo candidato à reeleição, é claro que ele terá o apoio do partido”, afirmou Azevêdo. Ele ainda reforçou a expectativa de reciprocidade: “Eu tenho certeza absoluta que ele fará uma opção e não poderá ter a condição de estar pedindo voto para três senadores. Ele vai fazer uma opção, que eu espero que seja por mim e por outro”.

A fala revela mais do que uma simples negociação partidária. Mostra um João Azevêdo que, apesar de liderar as pesquisas para o Senado, vê adversários se aproximando e sua base se fragmentando. Com Cícero Lucena e Lucas Ribeiro candidatos, rachando a base governista, e a oposição — liderada por Efraim Filho — ganhando musculatura, o ex-governador precisa costurar apoios com urgência.

Léo Bezerra, por sua vez, ainda não fechou posição integral. Embora integre o mesmo partido, o prefeito da capital mantém diálogo aberto e não descartou votar em outros nomes para o Senado, o que aumenta a pressão sobre Azevêdo.

Essa troca explícita de favores expõe a fragilidade do projeto governista. Enquanto a oposição se organiza de forma mais coesa, com articulações claras e nomes fortes, a base de Azevêdo vive de acordos pontuais e promessas de apoio futuro. Em um estado onde a violência na orla de João Pessoa cresce, o crime organizado avança e a dependência do Bolsa Família supera o número de empregos CLT, o eleitor paraibano cobra resultados, não barganhas políticas.

João Azevêdo segue favorito ao Senado, mas o tom de desespero em suas declarações indica que o caminho até outubro de 2026 será mais árduo do que o esperado. A base rachada, as trocas explícitas de apoio e a falta de unidade podem custar caro no momento decisivo das urnas.