segunda-feira, abril 27, 2026
HomeColunasRicardo CalladoPedido de vista no TRE-PB interrompe julgamento que pode cassar chapa de...

Pedido de vista no TRE-PB interrompe julgamento que pode cassar chapa de Cícero Lucena e Leo Bezerra

Date:

Julgamento de recursos que contestam a eleição do ex-prefeito Cícero Lucena e do atual prefeito Leo Bezerra é suspenso após magistrado pedir vista, mantendo incerteza sobre o futuro político da dupla

O Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB) viveu mais um capítulo de suspense nesta segunda-feira (27). O julgamento dos recursos que buscam a cassação da chapa formada por Cícero Lucena (MDB) e Leo Bezerra (PSB), eleitos prefeito e vice de João Pessoa em 2024, foi interrompido após o juiz-membro Rodrigo Clemente de Brito solicitar vista do processo.

A paralisação adia a definição sobre as acusações de aliciamento violento de eleitores e possível influência de facções criminosas, mantendo o cenário político da capital paraibana envolto em incertezas às vésperas das eleições de 2026.

Os recursos foram apresentados pelas campanhas do deputado federal Ruy Carneiro (Podemos) e do ex-ministro Marcelo Queiroga (PL), com base na Operação Território Livre da Polícia Federal. Durante a sessão, o procurador regional eleitoral Marcos Queiroga reconheceu a gravidade dos fatos relatados, especialmente a suspeita de atuação de facções criminosas no ambiente administrativo municipal.

No entanto, o procurador foi claro ao afirmar que não há provas suficientes para demonstrar ligação direta entre esses ilícitos e a campanha eleitoral da chapa majoritária.

“Os fatos são graves, especialmente pela possível influência de facções no ambiente administrativo. No entanto, uma coisa são indícios e outra é prova suficiente para cassação de mandato. No caso de João Pessoa, não há comprovação do liame eleitoral direto com a chapa majoritária”, destacou o procurador, fazendo comparação com o caso de Cabedelo, onde o conjunto probatório foi considerado mais robusto.

Cícero Lucena, que já havia manifestado tranquilidade em relação ao julgamento, reforça sua confiança na lisura de sua campanha. Para ele, o foco deve estar no enfrentamento à criminalidade, cobrando do governo estadual e federal maior atuação contra as facções que avançam na Paraíba.

O pedido de vista do juiz Rodrigo Clemente de Brito suspende o julgamento sem data definida para retomada. Enquanto isso, a capital paraibana segue à espera de uma definição que pode alterar significativamente o tabuleiro político estadual.

Caso a cassação seja confirmada, abre-se um vácuo de poder em João Pessoa e fortalece ainda mais o racha na base governista de João Azevêdo, beneficiando nomes da oposição como Efraim Filho, Romero Rodrigues e a articulação que envolve Diogo Cunha Lima na chapa de Cícero.

O episódio reforça a necessidade de agilidade e transparência da Justiça Eleitoral. A Paraíba, que já convive com escalada da violência na orla de João Pessoa e avanço de facções criminosas, não pode permitir que dúvidas sobre a legitimidade das urnas de 2024 contaminem o debate democrático de 2026.

O eleitor paraibano merece clareza: ou a chapa eleita se mantém com legitimidade comprovada, ou a Justiça deve agir com rigor para preservar a confiança nas instituições.