quinta-feira, abril 23, 2026
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Paraíba registra mais de 7 mil óbitos, em 2025, por infarto, insuficiência cardíaca e AVC

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26 de abril: Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial

Silenciosa, comum e muitas vezes negligenciada, a hipertensão arterial segue como um dos principais gatilhos para duas das doenças que mais matam no país: infarto e Acidente Vascular Cerebral (AVC).

Só em 2025, o Brasil registrou 177.810 mortes por infarto e 104.363 mil por AVC, segundo levantamento da Organização Nacional de Acreditação (ONA), com base no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde (DATASUS).

Os dados incluem diferentes tipos de eventos cardiovasculares e reforçam o tamanho do problema: foram ainda 64.133 óbitos por insuficiência cardíaca. Para 2026, os números ainda estão em consolidação, mas já indicam a continuidade do cenário preocupante. Total de 346.306 óbitos por infarto, AVC e insuficiência cardíaca.

Na Paraíba, foram registrados 4.168 óbitos por infarto; 1.925 por AVC e 1.250 por insuficiência cardíaca, totalizando 7.343 mortes.

Uma doença silenciosa e perigosa – A hipertensão é considerada uma doença silenciosa justamente porque, na maioria dos casos, não apresenta sintomas. É um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares no mundo, como infarto e AVC. “Ela pode causar lesões progressivas nos órgãos-alvo, como coração e cérebro, mesmo antes do surgimento de sintomas. Infelizmente, muitos pacientes desconhecem que são hipertensos e acabam recebendo o diagnóstico apenas após um evento mais grave”, alerta o cardiologista e membro da ONA, dr. Paulo Meirelles.

O especialista ressalta, no entanto, que a hipertensão arterial é considerada um fator de risco modificável. “Quando identificada precocemente e devidamente acompanhada, é possível reduzir de forma significativa o risco de complicações ao longo do tempo, mas não deve ser subestimada justamente por seu caráter silencioso”.

Para o doutor, a identificação precoce é uma das estratégias mais importantes para prevenir eventos cardiovasculares graves e reduzir mortes evitáveis. “Quando o paciente descobre a hipertensão tardiamente, muitas vezes já existe algum grau de comprometimento cardiovascular. Por isso, o diagnóstico precoce faz toda a diferença”.

Como identificar um AVC precoce? O SAMU destaca a escala de Cincinatti utilizada como uma ferramenta de reconhecimento precoce. “É importante sempre pedir para a pessoa sorrir, levantar os braços e falar. Qualquer sintoma novo como assimetria na face durante um sorriso, perda de força em um dos braços ou fala enrolada, o indivíduo deverá procurar atendimento de urgência”, alerta o doutor.

Quando começar a tratar – As Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial, atualizadas em 2025 por sociedades médicas (Cardiologia, Hipertensão e Nefrologia), reforçam que níveis de pressão arterial acima de 120 por 80 mmHg já são associadas ao aumento do risco cardiovascular, inclusive em indivíduos aparentemente saudáveis. “A aferição da pressão arterial é fundamental, mesmo na ausência de sintomas. A prevenção começa com acompanhamento, mudança de hábitos e controle dos fatores de risco”, explica o doutor.

AVC: fatores de risco e sinais de alerta – O AVC está diretamente associado a fatores como envelhecimento, hipertensão, diabetes, tabagismo, sedentarismo, estresse, colesterol elevado e histórico familiar. Pessoas acima de 55 anos têm maior risco, especialmente quando acumulam essas condições.

“É uma soma de fatores. A hipertensão, sozinha, já é um risco importante, mas quando combinada com outros hábitos e doenças, o perigo aumenta exponencialmente”, destaca o dr. Paulo.

Os sinais de alerta exigem atenção imediata: alteração no equilíbrio e coordenação; dificuldade para falar ou compreender; alteração na visão; dor de cabeça súbita e intensa; e fraqueza ou paralisia em um lado do corpo. “Diante de qualquer um desses sintomas, não se deve esperar. O tempo de resposta é determinante para evitar sequelas e até a morte”, reforça o cardiologista.

Tipos de AVC – Existem dois tipos principais de AVC:

  • Isquêmico: causado pela obstrução de uma artéria, impedindo a chegada de oxigênio ao cérebro (cerca de 85% dos casos)
  • Hemorrágico: ocorre quando há rompimento de um vaso cerebral, com sangramento (mais grave e com maior risco de morte)

 

Falhas no atendimento ainda agravam casos de AVC – Apesar de ser uma condição tratável, o AVC ainda enfrenta falhas importantes no cuidado em saúde e muitas delas evitáveis.

Na fase inicial, é comum a dificuldade em reconhecer os sinais ou até a sua subestimação, além da confusão com outras condições, como enxaqueca ou vertigem. Também há atrasos na realização de exames essenciais, como a tomografia, o que compromete decisões rápidas.

Durante o atendimento, um dos principais problemas é a perda do tempo ideal para uso de medicamentos que dissolvem o coágulo, além do controle inadequado da pressão arterial e da falta de encaminhamento para procedimentos que podem retirar o coágulo do vaso, quando indicados.

“Cada minuto perdido no AVC significa perda de função cerebral. Quando o atendimento falha, o impacto pode ser irreversível”, alerta o cardiologista.

Na internação, persistem falhas como erros de medicação, monitoramento insuficiente e problemas na comunicação entre equipes, além da prevenção inadequada de complicações, como pneumonia e trombose.

Após a alta, a ausência de um plano estruturado de reabilitação e a investigação incompleta da causa do AVC aumentam significativamente o risco de novos episódios.

Infarto: sinais que não podem ser ignorados – Os principais sintomas de infarto incluem dor ou pressão no peito — que pode irradiar para braço, mandíbula ou costas — além de falta de ar, suor frio, náuseas e tontura.

Em alguns casos, os sinais podem ser confundidos com problemas digestivos, o que atrasa a busca por atendimento. “Desconfortos abdominais, como náuseas e indigestão, também podem indicar infarto e não devem ser ignorados”, alerta o cardiologista. “Muitos pacientes ainda chegam tarde ao hospital porque não reconhecem os sinais. Isso reduz drasticamente as chances de recuperação”, complementa.

Erros evitáveis no cuidado ao infarto – Entre as falhas mais comuns estão o atraso no atendimento, problemas no uso de medicamentos, diagnóstico tardio e falta de continuidade do cuidado após a alta hospitalar.

Esses fatores impactam diretamente a evolução do paciente e aumentam o risco de complicações e morte. “Não basta tratar o evento agudo. É fundamental garantir continuidade do cuidado para evitar novos episódios”, destaca.

Acreditação: organização que salva vidas – A adoção de processos estruturados de qualidade e segurança — como os modelos de acreditação em saúde, a exemplo da Organização Nacional de Acreditação — tem impacto direto na prevenção de eventos graves, como infarto e AVC.

Instituições acreditadas operam com protocolos rigorosos que permitem identificar precocemente pacientes de risco e agir com rapidez em situações críticas. Isso se traduz em monitoramento mais eficiente, atendimento padronizado, redução de erros e maior integração entre equipes.

Mais do que processos, a acreditação fortalece uma cultura de segurança, na qual sinais não são ignorados e decisões são baseadas em evidências.

“Quando falamos de infarto e AVC, tempo e precisão fazem toda a diferença. Serviços organizados conseguem agir mais rápido, reduzir complicações e salvar vidas”, conclui.