quinta-feira, março 5, 2026
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Apesar da queda, desemprego ainda é o principal fator para endividamento no Nordeste, revela pesquisa da Serasa

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Pesquisa realizada pela Serasa indica motivos que levam à inadimplência; 48% têm dívidas atrasadas há mais de 1 ano

O desemprego permanece como principal fator de endividamento na região Nordeste, ao lado de gastos inesperados/emergenciais e da prática de “emprestar o nome”, segundo pesquisa realizada pela Serasa em parceria com o Instituto Opinion Box. A falta de trabalho foi apontada por 21% dos entrevistados, número que, embora menor que o de 2024 (26%), ainda representa um dos maiores desafios à estabilidade financeira das famílias. Em seguida, aparecem gastos emergenciais (17%) e o empréstimo de nome para terceiros (17%).

Patrícia Camillo, especialista em educação financeira da Serasa, explica que o endividamento reflete um conjunto de fatores econômicos e sociais, como a própria falta de educação financeira da população. “A queda no desemprego traz esperança e novas oportunidades, mas o desafio agora é transformar essa renda em estabilidade financeira. Após um período de perda de poder de compra, é fundamental que o consumidor aproveite esse momento para reorganizar o orçamento e evitar o acúmulo de dívidas”.

O estudo, que analisou o comportamento e o perfil dos inadimplentes, revela que o aumento no valor das contas básicas segue pressionando o orçamento: 1 em cada 10 pessoas afirma não conseguir arcar com esses custos, que podem chegar até R$ 750 mensais para 88% deles, correndo o risco de terem os serviços básicos interrompidos. 91% desses endividados dizem ainda ter reduzido o consumo devido à alta dessas despesas. Entre eles, 34% cortaram até 10% dos gastos e 24% reduziram entre 11% e 20%.

O papel do cartão de crédito na vida dos inadimplentes

Ainda de acordo com o levantamento, o cartão de crédito tem se mostrado um importante aliado na vida financeira dos brasileiros, permitindo o parcelamento de compras essenciais. No entanto, é preciso cautela para que o recurso não se torne um vilão do orçamento. Segundo a pesquisa, bancos e cartões de crédito concentram 52% das dívidas no Nordeste, seguidos por varejo (23%) e financeiras (20%). No cartão de crédito, os gastos mais frequentes são com mantimentos de supermercado, compra de produtos em geral e remédios/tratamentos médicos.

O peso do tempo sobre as dívidas

Os dados também mostram que 48% das dívidas dos brasileiros já ultrapassam um ano de atraso (no Brasil, 46%). Entre os setores com débitos mais antigos, destacam-se as securitizadoras, as empresas de telecomunicações e o varejo, cujas dívidas frequentemente ultrapassam dois anos de inadimplência.

O cenário, muitas vezes, se repete, e os dados preocupam: 49% dos nordestinos endividados atualmente são reincidentes (já estiveram endividados em algum outro momento da vida), representando uma queda de 1 ponto percentual em relação a 2024. Atualmente, o país soma mais de 79,1 milhões de pessoas com dívidas em atraso, totalizando mais de 313 milhões de débitos e atingindo o maior montante desde 2020.

“O cenário ainda é desafiador, mas também é uma oportunidade de recomeço. Entender as causas do endividamento e buscar alternativas de negociação são passos essenciais para recuperar o equilíbrio financeiro. É nesse sentido que iniciativas de renegociação ganham ainda mais relevância”, destaca Camillo.

Em meio a uma nova edição do Feirão Serasa Limpa Nome, principal mutirão de negociação de dívidas do país, 141 milhões de consumidores podem negociar dívidas com descontos expressivos e condições especiais em todo o país. A iniciativa reforça o compromisso da Serasa em facilitar o acesso à renegociação, permitindo que mais brasileiros retomem o controle de suas finanças e comecem 2026 com o nome limpo e o orçamento mais leve.

Metodologia

Pesquisa realizada pelo Instituto Opinion Box entre 9 e 24 de setembro de 2025, com 11.375 entrevistas online em todo o Brasil e 2.302 no Nordeste. Margem de erro de 2.0 pontos percentuais.