Inquérito Civil apura dispensa irregular de licitação e possível improbidade administrativa na gestão de Nabor Wanderley (Republicanos)
Da Redação
O Ministério Público da Paraíba (MP-PB) instaurou inquérito civil para investigar supostas irregularidades na contratação do Instituto de Desenvolvimento Educacional, Cultural e Assistencial Nacional (Idecan) pela Prefeitura de Patos, no Sertão paraibano, para organizar o concurso público do município. O procedimento, registrado sob o número 001.2025.059154 na 4ª Promotoria de Justiça de Patos, é conduzido pelo promotor Caio Terceiro Neto Parente Miranda e foca em indícios de dispensa irregular de licitação e atos de improbidade administrativa durante a gestão do prefeito Nabor Wanderley (Republicanos), pré-candidato ao Senado em 2026.
A investigação surgiu de denúncia sobre a escolha do Idecan sem concorrência pública adequada, violando a Lei de Licitações (Lei 14.133/2021). O concurso, publicado em julho de 2025, oferece 203 vagas efetivas e 311 para cadastro reserva, com salários de R$ 1.412 a R$ 7.000, e provas marcadas para novembro. O edital, avaliado em R$ 1,2 milhão, é questionado por falta de transparência na seleção da banca e possíveis favorecimentos, o que pode configurar prejuízo ao erário e violação a princípios de impessoalidade e moralidade.
Nabor Wanderley, pai do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), tem histórico de investigações, incluindo ações do MPF por corrupção em obras (Operação Outside, 2025) e improbidade em contratações de Oscips em 2017. O prefeito negou irregularidades, afirmando que a contratação seguiu normas legais e que o concurso visa preencher vagas urgentes na administração. “Estamos transparentes e à disposição para esclarecimentos. O foco é o serviço público eficiente,” declarou Nabor.
O MPPB determinou a notificação da prefeitura para apresentação de documentos e justificativas em 10 dias. Caso confirmadas as falhas, pode haver recomendação de anulação do contrato, ação de improbidade e responsabilização civil e criminal. A oposição cobra investigação rigorosa, ligando o caso ao padrão de denúncias contra a família Motta-Wanderley, incluindo rachadinha no gabinete de Hugo.
A população de Patos, com 110 mil habitantes, aguarda o concurso, mas questiona a lisura do processo. A investigação reforça o escrutínio sobre gestões municipais no Sertão paraibano, especialmente em ano pré-eleitoral.


