Presidente da Companhia Docas da Paraíba aponta esvaziamento institucional e falta de debates na Assembleia Legislativa
Da Redação
O ex-deputado estadual Ricardo Barbosa (PSB), atual presidente da Companhia Docas da Paraíba, disparou críticas à condução dos trabalhos na Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB) sob o comando do deputado Adriano Galdino (Republicanos), durante entrevista ao programa CBN João Pessoa da Rádio CBN Paraíba, nesta quinta-feira (16). Apesar de afirmar ter apreço pessoal por Galdino, Barbosa foi direto ao apontar o que considera um esvaziamento institucional do Legislativo estadual.
“A Assembleia perdeu muito do seu brilho. Não tem mais debates, o modelo atual das sessões não permite discussão, não permite discurso. Você não consegue fazer uma discussão séria com conteúdo. Virou uma feira de mangaio,” declarou.Barbosa, que foi deputado por quatro mandatos e líder do governo na ALPB durante gestões anteriores, criticou o formato das sessões, com ênfase em votações rápidas e pouca participação dos parlamentares.
Barbosa lamentou a ausência de debates profundos sobre temas como orçamento, saúde e educação, atribuindo o problema a uma “centralização excessiva” na presidência. “O Legislativo precisa ser o contraponto ao Executivo, mas hoje parece uma extensão dele. Falta pluralidade e transparência nas pautas,” completou, sem citar nomes específicos de projetos, mas insinuando que interesses pessoais prevalecem sobre o coletivo.
A declaração ocorre em meio ao racha na base governista de João Azevêdo (PSB), onde Galdino, pré-candidato ao governo com 5,6% nas pesquisas (Anova/PB Agora, 6 de outubro), enfrenta resistências internas. Galdino, que promulgou a LDO 2026 em agosto alegando perda de prazo do governo, rebateu críticas semelhantes no passado, defendendo a eficiência das sessões virtuais e híbridas adotadas pós-pandemia.
Barbosa, alinhado ao PSB, evitou vincular sua crítica à sucessão estadual, mas o comentário pode tensionar relações com o Republicanos, aliado do PSB.
A ALPB, com aprovação de contas de 2023 pelo TCE-PB em setembro, responde que promoveu mais de 100 sessões em 2025, com foco em produtividade. A oposição, como Efraim Filho (União Brasil), ecoou Barbosa nas redes, chamando a Casa de “apagada”. Galdino, que condiciona sua candidatura a 20% nas pesquisas até dezembro, não comentou imediatamente, mas aliados veem na crítica uma tentativa de desestabilização pré-eleitoral.


