Nova sede será construída onde funcionou o Cine São Francisco, gerando críticas por possível conflito de interesses
Da Redação
A Caixa Econômica Federal anunciou o fechamento de sua agência 0043, atualmente localizada no Guedes Shopping, no centro de Patos, no Sertão paraibano, para transferência para um novo prédio a ser construído no terreno onde funcionou o Cine São Francisco, na Rua do Prado. O local foi adquirido recentemente pela família do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), filho do prefeito de Patos, Nabor Wanderley (Republicanos), reacendendo debates sobre conflito de interesses e transparência em negociações públicas.
A licitação para a obra da nova sede foi divulgada nesta semana, com a Caixa optando pelo antigo cinema como ponto estratégico, próximo ao centro comercial e à rodovia BR-230. O projeto prevê uma estrutura moderna com acessibilidade e serviços ampliados, mas a escolha do terreno tem gerado controvérsias, especialmente após reportagens revelarem a compra do imóvel pela família Motta por cerca de R$ 6 milhões em imóveis nos últimos três anos, incluindo uma fazenda e um apartamento em João Pessoa. Em 2022, Motta declarou patrimônio de pouco mais de R$ 1 milhão ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o que levanta questionamentos sobre a origem dos recursos.
Hugo Motta, que tem influência política no estado e na Câmara, negou qualquer irregularidade, afirmando que a aquisição foi legal e que a Caixa conduziu o processo de forma independente. A família Motta, por meio de nota, destacou que o terreno foi negociado antes da decisão da Caixa e que não há vínculo direto com a escolha do banco.
A oposição paraibana cobra investigação, alegando possível favorecimento. O Ministério Público Federal (MPF) foi acionado por uma representação anônima para apurar se houve violação de princípios administrativos.
A agência no Guedes Shopping opera normalmente até a conclusão da nova unidade, prevista para 2026. Patos, com cerca de 110 mil habitantes, depende da Caixa para serviços como Bolsa Família e financiamentos habitacionais, e a mudança pode impactar o fluxo local. O caso se soma a denúncias recentes contra a família Motta, como irregularidades na gestão de Nabor Wanderley e suposta rachadinha no gabinete de Hugo, investigadas pelo TCU e MPF.


