Aumento de crimes na região metropolitana, agravado por andarilhos e uso de drogas, ameaça o turismo e exige ação urgente das autoridades

A região metropolitana de João Pessoa, coração turístico da Paraíba, vive um momento de crescente insegurança que ameaça transformar seus cartões-postais em zonas de risco. A orla da capital, especialmente a Praia de Tambaú — ponto de encontro de visitantes de todo o mundo e símbolo de tranquilidade paraibana —, não escapa à escalada da violência. Nesta sexta-feira (3), um homem em situação de rua foi assassinado por volta das 9h na faixa de areia da praia, ferido com arma branca em um crime que chocou banhistas e moradores.
A vítima, ainda não identificada oficialmente, não resistiu aos ferimentos e morreu no local, conforme boletim da Polícia Militar (PM-PB). Esse episódio, somado ao uso público de drogas e álcool por andarilhos que ocupam as calçadas da orla, reforça um ciclo vicioso de vulnerabilidade social e criminalidade que clama por respostas imediatas.
O crime ocorreu em plena luz do dia, em uma área movimentada por turistas e famílias, destacando a ousadia dos agressores. Testemunhas relataram à PM que o homem, aparentando cerca de 40 anos e conhecido na região por perambular pela orla, foi abordado por outro indivíduo em situação de rua durante uma discussão. A briga escalou rapidamente, culminando em golpes de faca ou similar, com o suspeito fugindo a pé pela areia em direção ao calçadão.
Equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram acionadas, mas constataram a morte por hemorragia profusa. Até o momento, a PM realiza buscas no bairro de Tambaú e adjacências, mas o autor permanece foragido. A Delegacia de Homicídios e Morte Violenta (DHMV) assumiu o caso, investigando possíveis motivações ligadas a disputas por territórios entre andarilhos ou consumo de entorpecentes.
João Pessoa registra um aumento alarmante de crimes violentos na região metropolitana. Dados preliminares da Secretaria de Segurança Pública da Paraíba (Sesop-PB) apontam um crescimento de 22% em homicídios e lesões corporais na orla entre janeiro e setembro de 2025, comparado ao mesmo período de 2024. Tambaú, Manaíra e Cabo Branco — os principais polos turísticos — concentram 40% desses incidentes, com relatos frequentes de assaltos a banhistas, furtos em quiosques e brigas que terminam em sangue.
O uso de drogas ilícitas e álcool nas calçadas, agravado pela presença de dezenas de andarilhos, cria um ambiente propício para conflitos. Muitos desses indivíduos, vítimas de exclusão social, acabam envolvidos em ciclos de violência, seja como alvos ou perpetradores, alimentados por redes de tráfico que se instalam nas sombras das barracas e calçadões.
Esse cenário não é isolado. A Paraíba, como parte do Nordeste, sente os tentáculos das facções criminosas que já dominam estados vizinhos como Pernambuco e Rio Grande do Norte. Grupos como o Okaida, com raízes locais, expandem influência para a orla, usando o fluxo de turistas para distribuir entorpecentes. Operações recentes, como a Proteção em Santa Luzia, desarticularam células rivais, mas o crime se reacomoda rapidamente.
A orla, que atraiu 1,2 milhão de visitantes em 2024 e impulsiona 15% do PIB turístico paraibano, agora enfrenta boicotes informais: hotéis em Tambaú relatam queda de 18% nas reservas estrangeiras após notícias de violência, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH-PB).
A tragédia na Praia de Tambaú não é mero acidente, mas sintoma de falhas sistêmicas. A superlotação de abrigos públicos, a falta de programas de reinserção para pessoas em situação de rua e a insuficiência de policiamento ostensivo na orla — com apenas 120 agentes para 12 km de litoral — criam um vácuo que o crime explora.
O uso de drogas, comum entre os andarilhos, é tanto consequência quanto causa da violência: muitos são usuários, mas outros, coagidos por facções, viram “olheiros” ou distribuidores. A PM-PB, em nota oficial, lamentou o ocorrido e prometeu reforço na patrulha comunitária, mas ações paliativas não bastam.
Os paraibanos precisam se mobilizar. A sociedade civil, através de entidades como a OAB-PB e o Conselho Estadual de Direitos Humanos, deve pressionar por investimentos em abrigos noturnos, centros de reabilitação e iluminação inteligente na orla. O prefeito Cícero Lucena (sem partido) tem a chance de transformar essa crise em bandeira eleitoral: uma gestão de segurança integrada, com parcerias público-privadas para monitorar praias.
O governador João Azevêdo (PSB) não pode ignorar o apelo — a violência ameaça não só o turismo, mas a coesão social do estado.
Em um Brasil onde a carga tributária de 32,4% do PIB não se converte em proteção aos vulneráveis, casos como o de Tambaú são um grito de alerta. A Paraíba, berço de resistência cultural, não pode se render ao caos. É hora de unir forças — governo, sociedade e polícia — para resgatar a orla como símbolo de paz, antes que o sangue manche irremediavelmente suas areias douradas.



