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Cícero Lucena nega chapa fechada para 2026 e abre portas para aliança com os Cunha Lima

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Prefeito de João Pessoa desmente especulações, mas admite diálogo com ex-senador Cássio Cunha Lima, intensificando tensões na base governista da Paraíba

Nesta segunda-feira (29), o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (sem partido, ex-PP), desmentiu rumores de uma chapa definida para as eleições ao governo da Paraíba em 2026, reafirmando que as articulações ainda estão em curso. Em entrevista ao Jornal BandNews João Pessoa, da Rádio BandNews FM (101,1 MHz), Cícero destacou que “não existe essa história de chapa montada” e brincou sobre a ansiedade política: “Estamos a um ano da eleição, deixem de agonia, ainda vai ter o jogo do Flamengo pela Libertadores”.

A declaração, feita em tom leve, não apaga a gravidade do cenário: a confirmação de um encontro com o ex-senador Cássio Cunha Lima (PSDB) em Brasília na semana anterior sinaliza uma possível aliança que pode aprofundar o racha na base do governador João Azevêdo (PSB) e redefinir o tabuleiro político paraibano.

Cícero, que lidera as pesquisas para o governo, enfrenta pressões na base governista, dividida entre ele, o vice-governador Lucas Ribeiro (PP), o presidente da ALPB, Adriano Galdino (Republicanos), e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos). A narrativa de uma “traição” de Azevêdo, que teria privilegiado Lucas, foi alimentada por especulações de um suposto acordo entre Cícero e Galdino, mas a aproximação com Cássio, líder histórico do PSDB e pai do pré-candidato Pedro Cunha Lima, sugere que o prefeito explora alternativas fora da base governista.

O encontro em Brasília, confirmado por Cícero, ocorreu em 23 de setembro, mesma data em que Motta barrou Eduardo Bolsonaro (PL-SP) da liderança da minoria, decisão vista como alinhada ao STF e a Lula. Cícero não detalhou a pauta, mas admitiu que “uma composição com o grupo de Cássio é possível”.

A possibilidade de uma aliança com os Cunha Lima, tradicionais adversários do PSB e do PT, reforça a percepção de um racha, como previsto em análises anteriores. Cássio, que foi senador até 2018, tem influência em Campina Grande e pode atrair eleitores moderados, mas sua aproximação com Cícero incomoda aliados de Azevêdo, como Chico Mendes (PSB), que pediu “lealdade” à base.

A declaração de Cícero é uma resposta direta aos rumores de que Azevêdo teria imposto Lucas Ribeiro como candidato ao governo, marginalizando ele e Galdino. O prefeito, que deixou o PP em agosto para evitar conflitos com a federação PP-União Brasil, reforça sua independência ao dialogar com a oposição, liderada por Romero Rodrigues, Pedro Cunha Lima, Efraim Filho, e Cabo Gilberto (PL).

Galdino, que em 18 de julho anunciou um pacto com Cícero para estar “juntos em qualquer cenário”, mantém a pré-candidatura ao governo, mas sua aproximação com Lula, em eventos como a entrega do Ramal do Apodi, o distancia de Cícero, que flerta com setores anti-petistas.

Azevêdo, cotado para o Senado, tenta conter a crise. Em 11 de agosto, negou rompimento com Cícero, ironizando especulações sobre a foto com Cássio: “Fotografia agora é casamento?”. No entanto, a falta de um candidato unificado — com Lucas enfraquecido e Motta desgastado pelo escândalo das funcionárias fantasmas — fragiliza a base.

A esquerda, representada pelo PT de Cida Ramos, está marginalizada, enquanto o centrão (Republicanos e PP) luta para manter o controle, mas enfrenta 52,3% de indecisos.

A aproximação de Cícero com Cássio fortalece a oposição, que vê no racha governista uma chance de vitória. Romero Rodrigues (Podemos), com apoio de Bruno Cunha Lima, prefeito de Campina Grande, e Pedro Cunha Lima (PSDB) formam um bloco competitivo, enquanto Efraim Filho (União Brasil) dialoga com Cícero, mas mantém sua pré-candidatura.

Cabo Gilberto (PL), alinhado ao bolsonarismo, capitaliza a rejeição a Lula e ao STF, amplificada por casos como o “Julgamento de Débora” e a barração de Eduardo Bolsonaro. Tovar Correia Lima (PSDB) já previu uma vitória oposicionista no primeiro turno se Cícero romper com Azevêdo.

Cícero Lucena, ao desmentir uma chapa fechada e confirmar diálogos com Cássio Cunha Lima, sinaliza que mantém todas as opções abertas para 2026, incluindo uma possível ruptura com a base de João Azevêdo. A narrativa de “traição” de Azevêdo a Cícero e Galdino perde força diante da ausência de imposições claras, mas o racha na base é real, agravado pela aproximação de Cícero com a oposição e pela fragilidade de Lucas e Motta. Em um estado com 52,3% de indecisos e polarização em alta, a habilidade de Cícero em navegar entre centrão, esquerda e direita será decisiva. Por ora, a única certeza é que, como ele mesmo disse, “não é hora de agonia” — mas o tabuleiro paraibano está longe de um consenso.