Encontro reservado visa fortalecer pré-candidatura de Lucas ao governo em 2026, mas enfrenta resistência do PT local
Da Redação
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), reuniu-se na semana passada, na residência oficial em Brasília, com o presidente nacional do PT, Edinho Silva, em um encontro fora da agenda oficial para discutir o cenário político da Paraíba e buscar o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à pré-candidatura do vice-governador Lucas Ribeiro (PP) ao Governo do Estado em 2026.
A reunião, confirmada por fontes próximas, reflete a tentativa de Motta de alinhar a base aliada do governador João Azevêdo (PSB) com o PT nacional, apesar das tensões com o diretório estadual do partido, que sinalizou lançar candidatura própria com possível liderança de Ricardo Coutinho.
Além do apoio ao vice-governador, a movimentação de Motta envolve outro interesse direto: garantir uma vaga no Senado para o pai, o prefeito de Patos, Nabor Wanderley (Republicanos).
Motta, aliado de Azevêdo, defende Lucas, que tem 8,95% das intenções de voto, como o candidato natural da base, mas enfrenta resistência do presidente da ALPB, Adriano Galdino (Republicanos, 7,09%), e do prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (PP, 33,83%), que foi descartado por Azevêdo como cabeça de chapa.
Galdino, que declarou sairia do Republicanos “ontem” se convidado por Lula, criticou Lucas por falta de experiência, enquanto o PT local, sob Jackson Macêdo, questiona o PP devido à posição anti-Lula de Ciro Nogueira, presidente nacional do partido. Edinho Silva, próximo de Lula, teria ouvido Motta sobre a necessidade de unificar a base para garantir um palanque forte para Lula na Paraíba, mas não há confirmação de um compromisso firmado.
O encontro ocorre em meio ao racha na base governista, com Cícero aproximando-se da oposição, que inclui Efraim Filho (União Brasil, 16,06%), Pedro Cunha Lima (PSD, 15,09%), e Marcelo Queiroga (PL). A oposição, fortalecida por articulações com Michelle Bolsonaro, vê no desgaste da base uma oportunidade para 2026. A reunião de Motta com Edinho, embora estratégica, enfrenta obstáculos devido às divisões internas no PT paraibano e à baixa aprovação de Lula (24%, Datafolha, fevereiro de 2025), o que pode limitar o impacto do apoio petista na campanha de Lucas.


