Presidente da Câmara enfrenta críticas por ser escanteado na negociação que encerrou obstrução da oposição
Da Redação
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), foi ironicamente chamado de “café com leite” por líderes da oposição, segundo o G1, após ser escanteado em uma negociação que encerrou a obstrução do plenário por deputados de oposição. A crise, iniciada em 5 de agosto em protesto contra a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), decretada pelo ministro Alexandre de Moraes (STF), foi resolvida por um acordo costurado diretamente com o ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), no dia seguinte, sem a participação de Motta. A expressão, usada por um líder da oposição, reflete a percepção de que Motta teve sua autoridade diminuída, enquanto Lira demonstrou maior influência.
O acordo, que levou à desocupação da Mesa Diretora após 30 horas de protesto, envolveu líderes como Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), Elmar Nascimento (União-BA), e Dr. Luizinho (PP-RJ), que se reuniram no gabinete de Lira. A pauta incluía a votação da PEC das Prerrogativas, que restringe prisões de parlamentares a crimes inafiançáveis, e discussões sobre a anistia aos condenados do 8 de janeiro, embora sem promessa imediata de votação. Motta, em entrevista ao Metrópoles, negou ter se sentido diminuído, afirmando que “o Arthur ajudou como todos os líderes ajudaram” e que a articulação foi “natural” para garantir o funcionamento da Casa.
A percepção de fragilidade de Motta foi reforçada por comentários como os do comentarista Thomas Traumann, que decretou o “fim” de sua gestão, alegando que ele “perdeu a capacidade de gerir” após a ocupação do plenário. Parlamentares do Centrão, segundo o Metrópoles, consideraram a intervenção de Lira “desnecessária” e malvista, estremecendo a relação entre os dois, já que Motta não foi previamente informado do acordo. Lira, que apoiou a eleição de Motta em fevereiro, mantém forte influência, enquanto Motta enfrenta críticas por denúncias de funcionárias fantasmas e uso de aviões da FAB.
Na Paraíba, aliados de Motta, como João Azevêdo (PSB), evitaram comentar a crise, enquanto opositores como Cabo Gilberto Silva (PL) e Marcelo Queiroga (PL) intensificaram ataques a Moraes. Motta, que já havia sido advertido por Lira em maio para manter “equilíbrio” entre governo e oposição, busca retomar o controle da agenda legislativa, mas a crise expôs sua dificuldade em lidar com a polarização e a força de Lira no Congresso.


