quinta-feira, março 5, 2026
HomeSem categoriaComentarista da GloboNews critica gestão de Hugo Motta e aponta fim de...

Comentarista da GloboNews critica gestão de Hugo Motta e aponta fim de sua presidência na Câmara

Date:

Declaração reflete crise após obstrução da oposição, mas Motta nega perda de controle e busca retomar agenda legislativa

Da Redação

O comentarista da GloboNews Thomas Traumann declarou, nesta quinta-feira (7), que a gestão do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), chegou ao fim, afirmando que ele “perdeu a capacidade de gerir” após ser impedido de assumir a cadeira da presidência durante uma sessão desta quarta-feira (6). A análise, feita no programa Em Pauta, reflete a crise institucional desencadeada pela obstrução do plenário por deputados de oposição, liderados por Marcel van Hattem (Novo-RS) e Marcos Pollon (PL-MS), em protesto contra a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), decretada pelo ministro Alexandre de Moraes (STF) em 4 de agosto.

“O que vimos ontem é o final da gestão do Hugo Motta como presidente da Câmara. Ele é um futuro ex-presidente,” disse Traumann, destacando que Motta vive “na sombra gigante” de seu antecessor, Arthur Lira (PP-AL).

A obstrução, iniciada na terça-feira (5), paralisou o Congresso Nacional, impedindo votações como a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026. Motta enfrentou resistência física ao tentar abrir a sessão, com deputados do PL e de outros partidos ocupando a Mesa Diretora, o que gerou tensão e a presença da polícia legislativa. Apesar da crítica de Traumann, Motta reagiu, afirmando, em entrevista à GloboNews, que “a Presidência da Câmara é inegociável” e negando vinculação de negociações a pautas específicas, como a anistia aos condenados do 8 de janeiro. “O presidente da Câmara não negocia suas prerrogativas, nem com a oposição nem com ninguém,” declarou, após acordo com líderes para desobstruir o plenário.

A crise expôs fragilidades na articulação de Motta, que assumiu a presidência em 1º de fevereiro de 2025 com 444 votos, o segundo maior número da história da Câmara. Eleitores bolsonaristas apontam que Motta enfrenta desgaste por não pautar a anistia, com suas redes sociais inundadas por cobranças. A Folha de S.Paulo também destacou pressões de deputados como Júlia Zanatta (PL-SC), que cobrou ação de Motta. Além disso, denúncias de funcionárias fantasmas em seu gabinete e uso de aviões da FAB amplificam críticas à sua gestão.

Por outro lado, Motta mantém apoio de partidos como PT e Republicanos, além de aliados na Paraíba, como João Azevêdo (PSB), que evita comentar a crise nacional. Sua decisão de proibir sessões de homenagem a Bolsonaro em 22 de julho e de defender Moraes reforça sua alinhamento com o STF e o governo Lula, mas aliena setores da oposição. O acordo para desobstruir o plenário, mediado com líderes como Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), indica tentativa de retomada do controle, mas sem compromisso firme com a anistia, como negado por Lindbergh Farias.

A análise de Traumann reflete o impacto imediato da crise, mas a continuidade da gestão de Motta dependerá de sua capacidade de avançar pautas econômicas. A polarização, agravada pelas sanções dos EUA contra Moraes, mantém o Congresso sob tensão, com a oposição prometendo manter a pressão por anistia e impeachment de Moraes.