quinta-feira, março 5, 2026
HomePolíticaHugo Motta não vai cumprir o acordo sobre pautar anistia do 8...

Hugo Motta não vai cumprir o acordo sobre pautar anistia do 8 de janeiro e engana oposição da Câmara

Date:

Presidente da Câmara vai se manter aliado de Lula e Alexandre de Moraes, enquanto oposição acusam quebra de promessa e de não ter palavra

Da Redação

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), tem sido alvo de críticas da oposição, especialmente do Partido Liberal (PL), por não cumprir um acordo para pautar o projeto de lei que concede anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023. Deputados da oposição, como Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), afirmaram nesta quarta-feira (6) que Motta teria se comprometido a levar a anistia e o fim do foro privilegiado ao plenário após a desocupação do plenário da Câmara, que esteve obstruído desde a terça-feira em protesto contra a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), decretada pelo ministro Alexandre de Moraes (STF). No entanto, a base governista, incluindo o líder do PT, Lindbergh Farias (RJ), negou a existência de tal acordo.

Motta, que assumiu a presidência da Câmara em fevereiro de 2025 com apoio de PT e PL, já havia sinalizado resistência em pautar a anistia. Em 28 de março, informou a aliados que não levaria o projeto adiante, argumentando que ceder à pressão do PL enfraqueceria seu mandato e geraria atritos com o STF, especialmente durante o julgamento do inquérito do golpe. Em 24 de abril, após jantar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Motta decidiu não pautar o requerimento de urgência do PL, que contava com 264 assinaturas, priorizando pautas econômicas como a isenção do Imposto de Renda para salários até R$ 5 mil. Na mesma época, seu pai, Nabor Wanderley foi alvo de operação da Polícia Federal.

A oposição, liderada por Cavalcante, intensificou as cobranças, ameaçando romper com Motta caso o projeto não fosse pautado. O vice-presidente da Câmara, Altineu Côrtes (PL-RJ), declarou que pautaria a anistia na primeira ausência de Motta do país, rompendo um compromisso anterior de não avançar sem anuência do presidente. Motta, por sua vez, evita viagens internacionais para impedir que Côrtes assumisse interinamente, conforme aliados.

Em pronunciamento nesta quinta-feira, Motta criticou a obstrução do plenário, chamando-a de “inaceitável” e reafirmando que a pauta será definida com diálogo e respeito ao regimento. Ele negou compromisso firme com a anistia, destacando que decisões serão tomadas em conjunto com o Colégio de Líderes.

A postura de Motta reflete sua proximidade com o STF e o governo Lula, como evidenciado por reuniões com Moraes e Gilmar Mendes e sua defesa da decisão de Moraes sobre Bolsonaro. Na Paraíba, a crise nacional não alterou diretamente as articulações de Motta, que mantém diálogo com Azevêdo (PSB), mas enfrenta críticas locais de aliados bolsonaristas como Cabo Gilberto Silva (PL) e Marcelo Queiroga (PL). A oposição acusa Motta de enganar seus deputados ao prometer pautar a anistia sem intenção de cumprir.