Presidente da Câmara reforça cumprimento de ordens judiciais e tenta evitar a crise institucional que se instalou no Congresso
Da Redação
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), reapareceu publicamente na tarde desta terça (5), durante um evento em João Pessoa, após críticas nas redes sociais sobre sua suposta “ausência” durante a crise institucional que paralisa o Congresso Nacional.
Em entrevista ao Veja (Radar), Motta defendeu a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), afirmando que “decisões judiciais devem ser cumpridas”. “Não cabe a mim ou a ninguém qualificar a decisão do STF. O legítimo direito de defesa deve ser respeitado, mas ordens judiciais são para cumprir,” declarou.
Motta, que enfrentava acusações de “sumiço” e conter a pauta de anistia aos condenados do 8 de janeiro, buscou equilibrar sua posição. A obstrução do Congresso, iniciada pela oposição, protesta contra a prisão domiciliar de Bolsonaro, decretada por Moraes após o ex-presidente supostamente descumprir medidas cautelares, como a proibição de usar redes sociais durante atos de domingo.
Motta reiterou que a Câmara será “espaço de diálogo” para evitar escalada de tensões, ecoando sua postura de 30 de julho, quando criticou sanções dos EUA contra Moraes, via Lei Magnitsky, e defendeu a soberania nacional. “Como país soberano, não podemos apoiar sanções de nações estrangeiras a qualquer Poder,” disse.
A reafirmação de Motta ocorre em meio a pressões do vice-presidente da Câmara, Altineu Côrtes (PL-RJ), que ameaçou pautar a anistia em sua ausência, e de deputados paraibanos como Cabo Gilberto Silva (PL), que pediu o impeachment de Moraes, acusando-o de “torturar” Bolsonaro. Motta, que já havia elogiado decisões de Moraes, como a suspensão do aumento do IOF em 4 de julho, mantém uma postura de diálogo com o STF, evitando confrontos diretos com o ministro.


